Agricultores afectados <br>por intempéries
Inês Zuber, deputada do PCP no Parlamento Europeu, questionou no dia 25 a Comissão Europeia (CE) sobre a possibilidade de as zonas da Lourinhã e de Setúbal serem apoiadas na sequência dos estragos provocados pela chuva.
«Trata-se, portanto, de uma catástrofe natural»
Numa pergunta escrita, relata-se que na Lourinhã (no Litoral da sub-região do Oeste) «estima-se que cerca de 2/3 da produção de hortícolas não chegará aos mercados», e que alguns terrenos desta região ficaram «cobertos com lama», o que «poderá provocar uma impermeabilização dos solos». Na Península de Setúbal estima-se que 15 a 20 por cento da produção de tomate tenha ficado perdida.
«Trata-se, portanto, de uma catástrofe natural, que soma um conjunto de prejuízos acrescidos às crónicas dificuldades de escoamento dos produtos, aos persistentes baixos preços à produção e à crise de rendimentos que enfrentam estes produtores», alerta a deputada.
Neste sentido, Inês Zuber perguntou à CE «qual o apoio que está previsto no Programa de Desenvolvimento Rural do Continente (Proder), na medida “Minimização dos Riscos no Espaço Florestal e Agro-Florestal», se «existe ainda, no actual quadro, a possibilidade de restabelecimento do potencial de produção agrícola afectado por catástrofes naturais e introdução de medidas de prevenção adequadas» e «qual o apoio previsto para a medida “Restabelecimento do Potencial de Protecção Agrícola”».
Graves prejuízos na Península de Setúbal
Toneladas de tomate a apodrecer
Na Península de Setúbal, dezenas de toneladas de tomate para a indústria não foram apanhadas devido ao mau tempo que assolou a região. Os agricultores reclamam do Governo medidas compensatórias para fazer face aos prejuízos, tendo já formalizado um pedido de reunião com Assunção Cristas, ministra da Agricultura.
Só nos concelhos do Montijo e de Palmela, 90 por cento da produção de tomate está praticamente perdida. «Há dezenas de toneladas de tomate no terrenos onde os produtores nem sequer conseguem entrar para fazer a apanha. Esse tomate vai apodrecer rapidamente», afirmou, no dia 23, em declarações à Lusa, Avelino Nunes, da Associação de Agricultores do Distrito de Setúbal (AADS).
A juntar ao mau tempo, o dirigente criticou ainda os preços à produção, cada vez mais baixos, e os custos de produção, cada vez mais altos. «Os custos de produção aumentaram muito, mas o preço do tomate no produtor é igual ao que era há 20 anos. Não é por acaso que hoje restam apenas cerca de 30 dos 500 produtores de tomate que havia na região há cerca de 20 anos», informou, dando ainda a conhecer que os seguros não dão resposta às necessidades dos produtores, porque «apresentam preços incomportáveis e não cobrem grande parte dos riscos da agricultura».